quinta-feira, janeiro 18, 2007
Notas à margem da aula sobre marketing do livro (16/1)
1) Há mau marketing, sim, e há pub indesejada -- mas a mais indesejada é a ausência de pub.
2) Má pub pode matar um livro; mas um livro que as pessoas não sabem que existe não chega sequer a nascer, pois não?
3) Um bom marketing aproveita as potencialidades do livro e do autor4)
Quanto mais "verdade" houver melhor. Por verdade entendamos uma harmonia (uma coerência) entre todas as facetas do produto
5) O autor também é mercadoria, no mundo do marketing
6) O livro é o seu próprio cartão de visita -- se for lido e as pessoas gostarem, passam a palavra. (O problema é ser lido... Muitas vezes as pessoas compram e não chegam a ler.)
7) Dos 3 tele-jornaleiros, Rodrigo G de C é o que "mais trai" a imagem, precisamente por ser mais ambicioso e, paradoxalmente, ser o que tem menos imagem intelectual/poética de cabecinha pensadora.
8) O problema das expectativas para o livro é que podem limitar o seu destino: uma tiragem modesta pode revelar já pouca confiança por parte do editor -- e se o orçamento para pub for reduzido, pior ainda... (Princípio de Ronald: The rich get richer, the poor...)
9) Há sempre técnicas novas -- e algumas surpreendentemente baratas
10) A internet é em parte o futuro: suspeito que em breve o método Amazon de cobrar se tornará mais comum. Faz apenas um par de anos que as pessoas começaram mesmo a ter alguma confiança nas transacções bancárias por rede.
11) A livraria é actualmente um circuito residual do livro. Sobreviverão talvez as mais pitorescas e especializadas. As que marquem a diferença e se afirmem junto de um público que compre.
12) Ironia que tem a ver com o item anterior: os alfarrabistas terão mais futuro que as livrarias generalistas de produtos frescos?
13) Doença infantil do mercado do livro (não falei mas falo agora e é um ponto importante): alta rotação do produto para muito baixa (lenta) reabsorção do investimento. Traduzindo: o livro sai das montras muito rápido mas o dinheiro leva muito tempo a regressar à editora.
14) O que leva (também não falámos) à necessidade da editora comercial de lançar mais livros, para compensar o tempo de espera (meses, um ano, nunca) a receber o dinheiro pelo livro vendido. Por isso a editora tende a vender mais barato (às vezes barato demais...) quando um retalhista lhe oferece dinheiro fresco -- a pronto -- por um lote de livros.
15) O mercado é cruel e selvagem. Talvez uma forma de não ser devorado por ele seja encontrar atalhos alternativos. Menos lentos que a grande auto-estrada, mas mais amenos, menos agressivos.
RZ
1) Há mau marketing, sim, e há pub indesejada -- mas a mais indesejada é a ausência de pub.
2) Má pub pode matar um livro; mas um livro que as pessoas não sabem que existe não chega sequer a nascer, pois não?
3) Um bom marketing aproveita as potencialidades do livro e do autor4)
Quanto mais "verdade" houver melhor. Por verdade entendamos uma harmonia (uma coerência) entre todas as facetas do produto
5) O autor também é mercadoria, no mundo do marketing
6) O livro é o seu próprio cartão de visita -- se for lido e as pessoas gostarem, passam a palavra. (O problema é ser lido... Muitas vezes as pessoas compram e não chegam a ler.)
7) Dos 3 tele-jornaleiros, Rodrigo G de C é o que "mais trai" a imagem, precisamente por ser mais ambicioso e, paradoxalmente, ser o que tem menos imagem intelectual/poética de cabecinha pensadora.
8) O problema das expectativas para o livro é que podem limitar o seu destino: uma tiragem modesta pode revelar já pouca confiança por parte do editor -- e se o orçamento para pub for reduzido, pior ainda... (Princípio de Ronald: The rich get richer, the poor...)
9) Há sempre técnicas novas -- e algumas surpreendentemente baratas
10) A internet é em parte o futuro: suspeito que em breve o método Amazon de cobrar se tornará mais comum. Faz apenas um par de anos que as pessoas começaram mesmo a ter alguma confiança nas transacções bancárias por rede.
11) A livraria é actualmente um circuito residual do livro. Sobreviverão talvez as mais pitorescas e especializadas. As que marquem a diferença e se afirmem junto de um público que compre.
12) Ironia que tem a ver com o item anterior: os alfarrabistas terão mais futuro que as livrarias generalistas de produtos frescos?
13) Doença infantil do mercado do livro (não falei mas falo agora e é um ponto importante): alta rotação do produto para muito baixa (lenta) reabsorção do investimento. Traduzindo: o livro sai das montras muito rápido mas o dinheiro leva muito tempo a regressar à editora.
14) O que leva (também não falámos) à necessidade da editora comercial de lançar mais livros, para compensar o tempo de espera (meses, um ano, nunca) a receber o dinheiro pelo livro vendido. Por isso a editora tende a vender mais barato (às vezes barato demais...) quando um retalhista lhe oferece dinheiro fresco -- a pronto -- por um lote de livros.
15) O mercado é cruel e selvagem. Talvez uma forma de não ser devorado por ele seja encontrar atalhos alternativos. Menos lentos que a grande auto-estrada, mas mais amenos, menos agressivos.
RZ