sábado, janeiro 20, 2007
Ainda no seguimento da aula de Teoria da Edição...
...lembram-se de termos falado na questão/necessidade de criação de novos circuitos editoriais?
No Mil Folhas desta 6a veio um interessante trabalho, da jornalista Ana Dias Ferreira, sobre o mercado dos audiolivros. A ler com atenção.
Transcrevo o princípio:
«Entra-se no IC19, a famosa via que une Lisboa a Sintra. Com sorte o trânsito flui, mas na hora de ponta é mais certo que esteja entupido. Começa a espera, o pára-arranca. O pior é que ontem também foi assim. Que tal sair na próxima saída, a que diz... Amazónia? (ou seja, viajar através do audiolivro "O Velho Que Lia Romances de Amor").
São assim os audiolivros - no rádio do carro, podem fazer com que até a mais horrível das viagens se transforme num passeio por outros mundos. São assim - livros que se podem escutar em qualquer lado, porque são para "ler de ouvido", desde que se tenha um leitor de CD ou de mp3. São assim - para "ler" de olhos fechados (ideais para quem não vê, mas não só), em casa, enquanto se corre na passadeira do ginásio, se cozinha, ou se vai no carro... preso numa fila do IC19, porque não? São assim, como os livros - levam-nos a imaginários longínquos. Com a diferença de que não temos de os segurar nem focar.
Lidos por narradores profissionais, os audiolivros correspondem, como o nome indica, à versão áudio e fiel de um original em papel. Ao contrário do que acontece noutros países, a oferta destes livros no mercado nacional era quase inexistente, até há bem pouco tempo. Pelo menos ao nível da ficção contemporânea e falada em português (há alguma coisa, mas pouca, em poesia, infantil, línguas e auto-ajuda).»
O audiolivro está aí, e veio para ficar.
...lembram-se de termos falado na questão/necessidade de criação de novos circuitos editoriais?
No Mil Folhas desta 6a veio um interessante trabalho, da jornalista Ana Dias Ferreira, sobre o mercado dos audiolivros. A ler com atenção.
Transcrevo o princípio:
«Entra-se no IC19, a famosa via que une Lisboa a Sintra. Com sorte o trânsito flui, mas na hora de ponta é mais certo que esteja entupido. Começa a espera, o pára-arranca. O pior é que ontem também foi assim. Que tal sair na próxima saída, a que diz... Amazónia? (ou seja, viajar através do audiolivro "O Velho Que Lia Romances de Amor").
São assim os audiolivros - no rádio do carro, podem fazer com que até a mais horrível das viagens se transforme num passeio por outros mundos. São assim - livros que se podem escutar em qualquer lado, porque são para "ler de ouvido", desde que se tenha um leitor de CD ou de mp3. São assim - para "ler" de olhos fechados (ideais para quem não vê, mas não só), em casa, enquanto se corre na passadeira do ginásio, se cozinha, ou se vai no carro... preso numa fila do IC19, porque não? São assim, como os livros - levam-nos a imaginários longínquos. Com a diferença de que não temos de os segurar nem focar.
Lidos por narradores profissionais, os audiolivros correspondem, como o nome indica, à versão áudio e fiel de um original em papel. Ao contrário do que acontece noutros países, a oferta destes livros no mercado nacional era quase inexistente, até há bem pouco tempo. Pelo menos ao nível da ficção contemporânea e falada em português (há alguma coisa, mas pouca, em poesia, infantil, línguas e auto-ajuda).»
O audiolivro está aí, e veio para ficar.
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Notas à margem da aula sobre marketing do livro (16/1)
1) Há mau marketing, sim, e há pub indesejada -- mas a mais indesejada é a ausência de pub.
2) Má pub pode matar um livro; mas um livro que as pessoas não sabem que existe não chega sequer a nascer, pois não?
3) Um bom marketing aproveita as potencialidades do livro e do autor4)
Quanto mais "verdade" houver melhor. Por verdade entendamos uma harmonia (uma coerência) entre todas as facetas do produto
5) O autor também é mercadoria, no mundo do marketing
6) O livro é o seu próprio cartão de visita -- se for lido e as pessoas gostarem, passam a palavra. (O problema é ser lido... Muitas vezes as pessoas compram e não chegam a ler.)
7) Dos 3 tele-jornaleiros, Rodrigo G de C é o que "mais trai" a imagem, precisamente por ser mais ambicioso e, paradoxalmente, ser o que tem menos imagem intelectual/poética de cabecinha pensadora.
8) O problema das expectativas para o livro é que podem limitar o seu destino: uma tiragem modesta pode revelar já pouca confiança por parte do editor -- e se o orçamento para pub for reduzido, pior ainda... (Princípio de Ronald: The rich get richer, the poor...)
9) Há sempre técnicas novas -- e algumas surpreendentemente baratas
10) A internet é em parte o futuro: suspeito que em breve o método Amazon de cobrar se tornará mais comum. Faz apenas um par de anos que as pessoas começaram mesmo a ter alguma confiança nas transacções bancárias por rede.
11) A livraria é actualmente um circuito residual do livro. Sobreviverão talvez as mais pitorescas e especializadas. As que marquem a diferença e se afirmem junto de um público que compre.
12) Ironia que tem a ver com o item anterior: os alfarrabistas terão mais futuro que as livrarias generalistas de produtos frescos?
13) Doença infantil do mercado do livro (não falei mas falo agora e é um ponto importante): alta rotação do produto para muito baixa (lenta) reabsorção do investimento. Traduzindo: o livro sai das montras muito rápido mas o dinheiro leva muito tempo a regressar à editora.
14) O que leva (também não falámos) à necessidade da editora comercial de lançar mais livros, para compensar o tempo de espera (meses, um ano, nunca) a receber o dinheiro pelo livro vendido. Por isso a editora tende a vender mais barato (às vezes barato demais...) quando um retalhista lhe oferece dinheiro fresco -- a pronto -- por um lote de livros.
15) O mercado é cruel e selvagem. Talvez uma forma de não ser devorado por ele seja encontrar atalhos alternativos. Menos lentos que a grande auto-estrada, mas mais amenos, menos agressivos.
RZ
1) Há mau marketing, sim, e há pub indesejada -- mas a mais indesejada é a ausência de pub.
2) Má pub pode matar um livro; mas um livro que as pessoas não sabem que existe não chega sequer a nascer, pois não?
3) Um bom marketing aproveita as potencialidades do livro e do autor4)
Quanto mais "verdade" houver melhor. Por verdade entendamos uma harmonia (uma coerência) entre todas as facetas do produto
5) O autor também é mercadoria, no mundo do marketing
6) O livro é o seu próprio cartão de visita -- se for lido e as pessoas gostarem, passam a palavra. (O problema é ser lido... Muitas vezes as pessoas compram e não chegam a ler.)
7) Dos 3 tele-jornaleiros, Rodrigo G de C é o que "mais trai" a imagem, precisamente por ser mais ambicioso e, paradoxalmente, ser o que tem menos imagem intelectual/poética de cabecinha pensadora.
8) O problema das expectativas para o livro é que podem limitar o seu destino: uma tiragem modesta pode revelar já pouca confiança por parte do editor -- e se o orçamento para pub for reduzido, pior ainda... (Princípio de Ronald: The rich get richer, the poor...)
9) Há sempre técnicas novas -- e algumas surpreendentemente baratas
10) A internet é em parte o futuro: suspeito que em breve o método Amazon de cobrar se tornará mais comum. Faz apenas um par de anos que as pessoas começaram mesmo a ter alguma confiança nas transacções bancárias por rede.
11) A livraria é actualmente um circuito residual do livro. Sobreviverão talvez as mais pitorescas e especializadas. As que marquem a diferença e se afirmem junto de um público que compre.
12) Ironia que tem a ver com o item anterior: os alfarrabistas terão mais futuro que as livrarias generalistas de produtos frescos?
13) Doença infantil do mercado do livro (não falei mas falo agora e é um ponto importante): alta rotação do produto para muito baixa (lenta) reabsorção do investimento. Traduzindo: o livro sai das montras muito rápido mas o dinheiro leva muito tempo a regressar à editora.
14) O que leva (também não falámos) à necessidade da editora comercial de lançar mais livros, para compensar o tempo de espera (meses, um ano, nunca) a receber o dinheiro pelo livro vendido. Por isso a editora tende a vender mais barato (às vezes barato demais...) quando um retalhista lhe oferece dinheiro fresco -- a pronto -- por um lote de livros.
15) O mercado é cruel e selvagem. Talvez uma forma de não ser devorado por ele seja encontrar atalhos alternativos. Menos lentos que a grande auto-estrada, mas mais amenos, menos agressivos.
RZ
